
» Shiva Nataraj: Porque Shiva Nataraj
De acordo com os Vedas (sagradas escrituras hindus), os deuses pediram a Brahma
(Grande Criador) que criasse uma peça, um passatempo, audível e visível para
poderem compreender a natrueza da alegria. Assim, Brahma constituiu o Natya
Veda, o Veda do teatro, da música e da dança.
Brahma ordenou que fosse construído um teatro e os deuses ajudariam na proteção
e na apresentação do espetáculo. Para Shiva foi destinada a dança abstrata
e para sua consorte Parvati, a dança expressiva. A peça foi um sucesso, então
Brahma decidiu que o Natya Veda fosse levado ao conhecimento do homem comum,
para que ele, fazendo uso dessa arte, pudesse ascender seu amor pela eternidade.
Shiva Nataraj dança dentro de um círculo de fogo, símbolo da renovação e,
através de sua dança, Nataraj cria, conserva e destrói o universo. Ela representa
o eterno movimento do universo que foi impulsionado pelo ritmo do tambor e
da dança. Apesar de seus movimentos serem dinâmicos, como mostram seus cabelos
esvoaçantes, Shiva Nataraj permanece com seus olhos parados, olhando internamente,
em atitude meditativa. Ele não se envolve com a dança do universo pois sabe
que ela não é permanente. Como um yogue, ele se fixa em sua própria natureza,
seu ser interior, que é perene.
A imagem toda nos diz: "Vá além do mundo das aparências, vença a ignorância
interior e torne-se Shiva, o meditador, aquele que enxerga a verdade através
do olho que tudo vê.
"Eu louvo a dança, pois ela liberta o ser humano do peso das coisas -
une o solitário à comunidade.
Eu louvo a dança, que tudo pede e tudo promove: saúde, mente calma e uma alma
alada.
Dança é a transformação do espaço, do tempo e do ser humano, este constantemente
em perigo de fragmentar-se, tornando-se somente cérebro, vontade ou sofrimento.
A dança, ao contrário, pede o homem inteiro, ancorado no seu centro.
A dança pede homem liberto, vibrando em equilíbrio com todas as forças!
Eu louvo a dança!
Ser humano, aprenda a dançar!
Senão os anjos do céu não saberão o que fazer de você"
Santo Agostinho